Felicidade Estupida

Queres ser feliz! É o teu desejo para o próximo ano? Ganha juízo. A felicidade individual não é o grande objectivo desta vida, não é com certeza, o bem supremo em que agora se transformou. O objectivo da vida é o indivíduo transcender-se. Tudo está dentro de nós, tudo o que precisamos fazer é procurar e saber como procurar. Hoje em dia, ninguém quer transcender-se, esforçar-se, querem tudo do melhor sem o menor esforço. A coragem destes dias está no assumir-se, seja lá sobre o que for, mas principalmente para exibir algo perante os outros. Ou seja, o esforço que fazem … Continuar a ler Felicidade Estupida

Romance de Cordel

A relação das mulheres com os homens são estranhas, para não dizer bizarras. Aquilo que as atrai num momento, irrita-as logo no momento seguinte. Elas sabem que os homens gostam delas à maneira deles, e se gostassem à maneira delas, elas depressa se fartavam, mas, não se aguentam. Embora não deem espaço nenhum aos homens, de repente descobrem que elas próprias precisam de espaço. O problema delas é que passados os factos, sentem. Sentem o quê? Sentem nada, é como se tudo fosse água a escorrer-lhes pelos dedos, mas, porque é que a vida delas (e deles), haveria de dar … Continuar a ler Romance de Cordel

Nada Fica

É brutal, estupido e cruel, que a fantástica e inimaginável grandeza do ser humano que fostes, seja o nada e o manto de silêncio que a morte te estendeu por cima. Procuro fazer-te durar na minha memória, não só como minha mulher, mas como pessoa única e irrepetível. Tudo na vida se tornou irreal, mas enquanto perdurar a tua memória esse irreal motiva-me para continuar a existir. Temo que quando partir, a memória de ti parta comigo e do nosso amor não reste nada, nem sequer memórias. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Nada Fica

Genética

FERNANDO KASKAIS O mundo moderno rodeia-nos de tantas coisas complicadas, fabricadas e artificiais, que qualquer coisa mais “natural” e simples me fascina. O princípio, a genética, se quisermos, da estrutura é a mesma, o cromossoma X, só que um está associado a um exemplo notável de engenharia do século XIX, o outro a um triste banco esquecido nas margens do Rio Douro, como um pobre filho abandonado que contempla a mãe, altiva e distante. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Genética

Lucidez

Todo aquele que atinge a lucidez vê-se confrontado com a ruptura, o que causa sofrimento devido ao vínculo que se rompe, seja a sociedade, as mulheres, os amigos, os familiares, o que se passa no mundo deixa de ter interesse. Todavia, essa ruptura, proporciona um novo impulso, um aprofundamento da solidão, que significa expansão da liberdade: não há contas a prestar, nenhum compromisso a servir de obstáculo, e finalmente surge a visão límpida e desimpedida, ou a loucura, que à sua maneira também é uma forma de lucidez. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Lucidez

Ódio Como Desculpa

Classificamos as emoções como positivas ou negativas, atribuindo-lhes sentidos que por vezes são apenas clichés. O ódio, por exemplo, é visto como algo odioso em si mesmo, passe o pleonasmo, mas, raramente o vimos como uma  “válvula de escape”. Uma das razões pelas quais as pessoas se apegam tão obstinadamente aos seus ódios é porque pressentem que, uma vez que o ódio desapareça, serão forçadas a lidar com a dor. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Ódio Como Desculpa

Os Outros

São os outros que nos conduzem à solidão. As conversas, traem-nos, levam-nos a falar de nós, das nossas diferenças e indiferenças. Sem querer, revelamos a nossa história, a nossa identidade, que normalmente são sinônimos de incompreensão e mentiras. A sociedade degrada o homem, assim, o homem inteligente procura estar sozinho, afastado da confusão, evitando verificar todos os dias a sua cotação social, calculando os amigos e doseando os inimigos. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Os Outros

A Arte de Dizer Não

A maior parte das vezes, a “felicidade” vem de descobrir no que realmente vale a pena investir a nossa energia. Decidir o que vale a pena é uma arte que só se aprende com o tempo. Há algo no envelhecimento que torna mais fácil dizer “não, obrigado”. Se não tiverem problemas de saúde ou económicos, os mais velhos podem apresentar níveis de bem-estar mais altos do que os adultos mais jovens, e muito disso se deve ao desenvolvimento de uma noção mais clara sobre no que realmente vale a pena “apostar“. Eu dedico o meu tempo a caminhar, nadar, ler, … Continuar a ler A Arte de Dizer Não

A Banalidade do Bem Bom

Salvo raras excepções, Com a repetição (casamento) tudo se torna banal: requentado, repisado, sempre igual. Daí os adultérios, a procura da diversidade ou da quantidade. Isto funciona nas primeiras vezes, depois, os efeitos tornam-se demasiado previsíveis, esperados e essa expectativa muito detalhada do prazer mata-o. Quando não é o prazer que morre, são os membros do casal que se matam um ao outro, metaforicamente ou literalmente. ©Fernando Kaskais Continuar a ler A Banalidade do Bem Bom

O Universo Quer Sangue

Após quarenta anos de estudo de humanos e primatas, o professor de neurologia de Stanford, Robert Sapolsky, autor de Determined: A Science of Life Without Free Will (2023), anunciou que “Não somos nada mais, nada menos do que a soma daquilo que não podemos controlar, a nossa biologia, os nossos ambientes, as suas interações”. Sam Harris, um conhecido ateu e neurocientista, concorda: “O livre-arbítrio é uma ilusão”. A negação do livre-arbítrio é popular entre os cientistas em geral e provavelmente representa a visão maioritária entre os neurocientistas. Se não passamos de marionetes moldadas pelo tempo e pelo acaso, ou, se somos senhores do nosso destino é irrelevante … Continuar a ler O Universo Quer Sangue

Libido

FERNANDO KASKAIS Há aquele tipo de homem que é de tal maneira amante das mulheres que chega ao ponto de só amar uma, e tentar fazer amor com todas as outras. Acaba por possuir corpos indiferentes, que tal como a membrana do tímpano, entram em movimento da mesma maneira, seja pelo ronronar de um frigorífico, ou por um chorus de John Coltrane. É essa a tragédia dos aspirantes a “Don Juan”, não distinguem um saxofone de um frigorífico. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Libido

Quem Sou Eu? Ou Tu?

Quem sou eu? O que sou eu? De onde é que eu venho e para onde vou? Eu, assim como qualquer um de vós, não faz a mínima ideia de como responder a estas perguntas, ou simplesmente a qualquer uma delas. Muitos optam por viajar pelo mundo em busca de si mesmos, como se o Eu fosse um objeto que se pudesse encontrar debaixo de uma pedra, ou enterrado na areia longe de casa. Talvez devêssemos mudar de perspectiva; olhar para os seres vivos não como essências fixas (substantivos), mas como um “conjuntos de hábitos” (verbos). Se eu sou um evento em movimento, … Continuar a ler Quem Sou Eu? Ou Tu?

Renúncia

Pouco a pouco vou renunciando a tudo. Não quero estar implicado nem em mim, nem no mundo. Quero tornar-me indiferente ao passado e ao futuro, e viver apenas no eterno presente com as suas estranhas coincidências. Quando recordar os símbolos antigos do meu compromisso com o inferno, nome, idade, profissão, carreira, tudo isso, absolutamente tudo, vai surgir-me como irrisório, minúsculo, fantasmagórico. Caminho para esse estado onde transcendemos as máscaras, as funções, as identidades e as historias. É nesse momento em que renunciamos a tudo, em que já não reclamamos nada, que ‘’tudo‘’ nos é dado. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Renúncia

Fractal

FERNANDO KASKAIS Nós humanos somos como fractais, de estruturas complexas na pujança da vida, vamo-nos repetindo com o avançar da idade, em escalas cada vez menores seguindo a regra da simplicidade. Rompemo-nos em partes, refazemo-nos outra vez, repetimo-nos novamente, enquanto o mundo segue indiferente aos nossos dramas euclidianos de dimensão finita, numa existência cheia de arestas vivas, que nos dilaceram a alma. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Fractal

A Idade do Terror

A partir dos sessenta anos, mais coisa menos coisa, coincidindo com o Segundo Retorno de Saturno, a pessoa entra numa fase marcada por uma profunda reavaliação da vida, isto segundo a Astrologia. A Psicologia Metafisica já nos conta outra historia. Mesmo que inconscientemente, as pessoas entram numa fase de terror em que, mais do que nunca, sentem a aproximação da morte e a inutilidade de tudo o que viveram. Isto acontece ao nível do subconsciente, despoletando crises de ansiedade e depressões, e, acontece a um nível mais “acessível”, tornando as pessoas mais estranhas, desconfiadas e muitas vezes, mais avarentas, mesmo … Continuar a ler A Idade do Terror