Serás Um Semideus?

Não és o oceano de pensamentos que te inunda o cérebro, apesar de os pensares, os pensamentos não são teus, parecem que caem do teto da tua caixa craneana, também não és o rio de emoções que corre pelos vales da tua massa cinzenta, apesar de as sentires também elas não são tuas. Não és nem aquilo que pensas nem aquilo que sentes, tudo isso é uma cortina de fumo, um labirinto onde te perdes do teu verdadeiro ser, é uma maneira de o teu cérebro te manter ocupado enquanto trata de manter-te vivo. Na verdade, és um semideus, mas … Continuar a ler Serás Um Semideus?

Amputado

Ter sido amputado da tua presença na minha vida, faz agora parte da minha pessoa, como se realmente, me tivessem amputado um braço ou uma perna. Desenvolvi formas de fazer e de ser, integrando esta nova realidade em mim. Tornou-me mais forte e, ao mesmo tempo, mais sensível a outras pessoas que passam por esta situação. Em contrapartida, tornou-me intolerante para a mesquinhice, para a pequenez de espírito, para os mimos, birras e caprichos dos outros. Não escondo a falta que tu me fazes, nem que essa falta me obriga a valorizar mais os pequenos momentos e as pequenas coisas … Continuar a ler Amputado

Exorcismo Musical

Com raríssimas excepções, os concertos de musica pop e rock actuais são qualquer coisa que se situa entre o ridículo e o tédio, tão profundo passou a ser o abismo entre a arte e a realidade. Uma dessas excepções são os concertos de Nick Cave, mas, essa excepção é porque os seus concertos são mais um “exorcismo“ colectivo do que uma “simples” performance musical. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Exorcismo Musical

Escrevendo

Escrever é difícil, escrever bem é ainda muito mais difícil. A arte é uma afirmação da existência humana, a transmissão e recepção de mensagens sobre encontros e desencontros, conexão e desconexão. A comunicação entre escritor e leitor, artista e público, é o mais próximo que chegamos da telepatia: a transmissão e recepção de informações entre mentes. Repetindo, não é fácil, mas única opção é ir tentando, ir escrevendo. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Escrevendo

Imaginando II

FERNANDO KASKAIS O mar como oráculo desde os primórdios. Há qualquer coisa no movimento da água que nos hipnotiza. Pessoas diferentes, épocas diferentes, sempre o mesmo enigma. Compreender os mistérios do tempo ultrapassa a aptidão humana. Talvez a maneira de ter uma relação harmoniosa com o tempo, seja treinar a mente para não ter pressa, para deter o ímpeto da incerteza o suficiente para permanecer curiosa, para encostar o ouvido ao coração da Natureza e escutar o palpitar de quem e o que somos. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Imaginando II

Desfrutar

Ler, escrever, fotografar, ouvir musica, caminhar, nadar, tudo isto é alegadamente, tempo perdido, desperdiçado, sem produção de riqueza. Tempo morto. E, contudo, para mim, para a minha vida imediata, o benefício revela-se espantoso: fiquei disponível para mim mesmo. Afastei-me das preocupações idiotas, virei costas aos mexericos dos tagarelas. Capitalizei-me a mim mesmo. Durante todo este tempo o Universo deu-me generosamente a minha pessoa, armazenei toneladas de presença pura. A diferença entre lucro e benefício prende-se com o facto de as operações lucrativas poderem ser feitas por outro qualquer que não eu. Somos sempre substituíveis no que toca ao inútil e … Continuar a ler Desfrutar

Rafeiros de Duas Patas

Há mulheres para quem os Homens são como a cozinha moderna: consumidos sempre em doses mínimas. Elas poucos direitos lhes dão sobre o corpo, e nenhuns sobre as suas pobres almas. Gostam de tratar os homens como rafeiros porque os rafeiros ficam agradecidos com muito pouco. Esta aparente arrogância, procura disfarçar uma profunda insegurança. Os homens, por sua vez, ficam satisfeitos com qualquer osso que lhes seja atirado, mas, como rafeiros que são, por vezes mordem a mão que lhes dá de comer. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Rafeiros de Duas Patas

A Bolha AI Vai Estourar

A inteligência artificial é uma bolha que vai estourar. A maioria das empresas vai falir. A maioria dos centros de dados será fechada ou vendida em peças, porque simplesmente não será economicamente viável manter os data centers em funcionamento. O colapso da bolha da AI ​​será desastroso. Sete empresas de AI atualmente detêm mais de um terço do mercado de ações e continuam a repassar incessantemente a mesma promessa de pagamento de US$ 100 bilhões. Os grandes investidores estão injetando centenas de bilhões de dólares em empresas de AI. E, como estão investindo pesado, as pessoas comuns também estão sendo atraídas, arriscando … Continuar a ler A Bolha AI Vai Estourar

Imaginando

FERNANDO KASKAIS Imaginará um futuro demasiado longínquo, medindo a distância entre o passado e o presente pelo ritmo a que as ondas do mar rebentam na areia. Como é aparentemente fácil considerar-nos outro ser distinto, e a nossa vida presente como qualquer coisa que não a simples continuação do passado. O mar como oráculo, e o futuro sob o nosso controlo enquanto o fluxo da água se mantiver inalterável. Não, não é fácil, compreender os mistérios do tempo ultrapassa a aptidão humana. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Imaginando

O Diabo e Os Imbecis

O Diabo adora divertir-se com os imbecis, dar-lhes corda, um bocado de poder, erguê-los no ar, enormes e leves como se fossem elefantes insufláveis, puxar a corda e rodá-los, flutuando a pouca altura, aturdidos, estupefactos com a sua suposta grandeza, enquanto dançam a cada sacudidela do fio a que estão presos. Só que o diabo aborrece-se e muda constantemente de imbecis. O constantemente pode parecer uma eternidade para os imbecis, mas essa eternidade é enquanto o Diabo esfrega um olho. ©Fernando Kaskais Continuar a ler O Diabo e Os Imbecis

Imortalidade

O seixo vermelho que encontramos numa praia normalmente é hematita, a oxidação do ferro em rochas sedimentares, o mesmo ferro que compõe a hemoglobina que oxigena os nossos glóbulos vermelhos. Talvez num dia distante, através dos tempos, alguém se baixará, maravilhado, numa outra praia, para pegar um seixo impressionante, tingido de vermelho, que um dia foi o nosso sangue. Os sedimentos são uma espécie de poema épico da Terra. Saber que carregamos sedimentos nas nossas células e que retornaremos aos sedimentos é ser um poema vivo. ©Fernando Kaskais Continuar a ler Imortalidade