
Cada vez mais, olho para o mundo como os outros olham para um eclipse do Sol. Vejo o mundo através de um vidro fumado, vejo a Terra perto de um eclipse e ainda mais perto do Apocalipse. Andamos todos às cegas num permanente crepúsculo, parecemos escaravelhos presos em caixas nas mãos de uma criança cruel. Como é fácil danificar-nos, ferir-nos e acabar com a nossa existência estravagante engenhosamente desenvolvida. Só os pobres de espírito correm atrás da felicidade e da diversão permanente, os avisados, preocupam-se mais em prestar muita atenção aonde põem os pés.

©Fernando Kaskais
